Escolher materiais reforma comercial de forma criteriosa impacta diretamente o desempenho, a durabilidade e o custo total do empreendimento. Para arquitetos e gestores de obras, a decisão não se limita ao preço por metro quadrado: envolve requisitos normativos, cargas de uso, manutenção, estética coerente com a marca e logística de suprimentos — especialmente quando a obra ocorre em polos urbanos como Belo Horizonte, com desafios de acesso, prazos de entrega e aprovações locais.Critérios técnicos para escolher materiais em reformas comerciaisAntes de apontar produtos específicos, é importante estabelecer critérios objetivos. Em ambientes de alto fluxo, a combinação entre desempenho mecânico e facilidade de manutenção tende a ser decisiva. O desenho do layout e a programação da obra também interferem na escolha, porque alguns materiais exigem cura, condicionamento ou equipe especializada.Parâmetros de desempenhoResistência à abrasão e impacto: priorizar materiais com classificações reconhecidas (ex.: ensaios de abrasão para pisos) quando há tráfego intenso de pessoas ou carrinhos.Comportamento ao fogo: observar reações e resistências conforme NBRs aplicáveis e exigências do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG), incluindo acabamentos de forro e revestimentos verticais.Higienização: selecionar superfícies com baixa porosidade e juntas reduzidas em áreas de alimentação, saúde e preparo de produtos.Acústica: avaliar NRC e CAC em forros, painéis e divisórias em ambientes de atendimento e salas de reunião.Deslizamento: coeficiente de atrito adequado para acessibilidade, especialmente em rampas e entradas expostas a umidade.Parâmetros de ciclo de vidaManutenção: disponibilidade de peças e insumos de reposição em BH/MG, treinamento simples da equipe de limpeza e facilidade de reparo.TCO (Custo Total de Propriedade): considerar custo de aquisição + instalação + operação + descarte, e não apenas o preço inicial.Garantias e rastreabilidade: optar por materiais com documentação técnica, fichas de desempenho e garantia compatível com o tempo de uso pretendido.Materiais reforma comercial: pisos de alto desempenhoO piso é o elemento mais exigido em uma loja, clínica, escritório ou restaurante. A especificação deve considerar tráfego, cargas pontuais, facilidade de limpeza e tempo disponível para instalação.Revestimentos cerâmicos e porcelanatosPorcelanato técnico (toda massa): indicado para alto tráfego e áreas de atendimento; baixa absorção e alta resistência à abrasão.Porcelanato esmaltado com PEI compatível: viável em áreas de fluxo moderado, mantendo estética variada (madeirado, cimentício, pedra).Argamassas colantes e rejuntes: em reformas, avaliar argamassas específicas para sobreposição e rejuntes com aditivos anti-fungo em áreas úmidas.Pisos vinílicos comerciais (LVT/Large format/heterogêneo)Vantagens: conforto acústico, rapidez de instalação, boa manutenção e variedade de padrões.Cuidados: substrato deve estar nivelado e seco; em BH, períodos chuvosos podem exigir monitoramento de umidade de contrapiso (CM ou RH) antes da colagem.Epóxi e poliuretano autonivelanteAplicações: cozinhas, laboratórios, back-of-house e áreas técnicas; monolíticos, higiênicos e com alta resistência química.Planejamento: exigem preparo rigoroso do substrato e controle ambiental; programar janelas de aplicação e cura, especialmente em obras com cronogramas apertados.Laminados comerciais e madeiras engenheiradasUso: áreas de escritório e salas de reunião; conforto térmico e estética natural.Observações: especificar classes de uso comercial (ex.: AC4/AC5), manta acústica e rodapés com proteção contra respingos.Revestimentos de paredes e forrosAs superfícies verticais e os forros combinam funções estéticas, acústicas, de proteção ao fogo e ocultação de instalações. Em reformas, avaliar compatibilidade com as condições existentes e a necessidade de atualizações de infraestrutura.ParedesDrywall (chapas RU, RF e ST): RU para áreas sujeitas à umidade; RF para exigências de resistência ao fogo; ST para ambientes internos secos. Detalhar reforços para fixação de mobiliário e nichos.Painéis cimentícios: maior resistência a impactos e umidade; indicados em áreas de circulação, sanitários e fachadas internas.Revestimentos laminados de alta pressão (HPL): aplicáveis em áreas de alto toque, com boa resistência a riscos e fácil limpeza.Tintas: para áreas comerciais, priorizar sistemas com lavabilidade elevada, baixo VOC e acabamentos acetinados ou semibrilho em zonas de manutenção frequente.ForrosModulares acústicos (fibra mineral, lã de rocha): melhoram inteligibilidade de fala e conforto acústico em atendimento e open spaces.Gesso acartonado: versátil para desenho de sancas, luminotécnica embutida e compartimentação; prever inspeções com alçapões.Metálicos perfurados: indicados em áreas técnicas ou de alto fluxo; resistência e manutenção facilitada.Esquadrias, portas e ferragensAs aberturas impactam acessibilidade, segurança e controle de fluxo. A compatibilização com sistemas de automação e controle de acesso deve ser anterior à compra.Portas corta-fogo certificadas e selos intumescentes em vãos técnicos e rotas de fuga, conforme exigências do CBMMG.Divisórias com vidro laminado/temperado de segurança, especificando espessuras conforme vão e necessidade acústica.Perfis de alumínio com ruptor de ponte térmica e vedação adequada para conforto térmico e estanqueidade.Ferragens com classificação de ciclos de uso e fechamento suave em áreas de alto tráfego, reduzindo manutenção.Materiais elétricos, dados e luminotécnicaA confiabilidade dos sistemas elétricos e de redes depende tanto do projeto quanto da qualidade dos materiais. Em reformas comerciais, prever reservas de carga e infraestrutura para expansões futuras é prática recomendável.Cabos com certificação e condutores de cobre dimensionados por queda de tensão e aquecimento; atenção a eletrocalhas e leitos com tampas em áreas acessíveis ao público.Dispositivos DR e DPS conforme normas vigentes, além de quadros com identificação clara e reserva de barramentos.Iluminação: luminárias LED com UGR adequado, IRC alto em áreas de venda e drivers dimerizáveis para cenas; difusores com proteção em áreas de preparo.Sistemas de cabeamento estruturado (Cat6/Cat6A) com patch panels e organização para manutenções rápidas; prever pontos Wi-Fi e alimentação PoE para câmeras.Hidrossanitário, cozinhas e sanitários acessíveisAmbientes molhados e áreas de preparo exigem materiais com desempenho higiênico e conformidade com acessibilidade.Tubulações: CPVC para água quente, PPR em trechos específicos, PVC esgoto com juntas elásticas; prever inspeções e caixas de gordura em áreas de alimentação.Revestimentos: pisos antiderrapantes com rampas e ralos lineares; rodapés arredondados (meia cana) em áreas higiênico-sanitárias.Louças e metais: acionamentos com economia de água, barras de apoio e alturas conforme NBR 9050; vedantes de qualidade para reduzir vazamentos.Acústica, segurança contra incêndio e conformidade normativaEmpreendimentos comerciais em BH devem observar normas ABNT e exigências locais do CBMMG. Materiais não conformes podem atrasar alvarás e vistorias.Acústica: combinar forros absorventes, pisos resilientes e painéis de parede; prever selagem acústica em passagens de instalações.Incêndio: classificação de reação ao fogo de revestimentos, portas corta-fogo corretas e selagens corta-fogo em shafts; sinalização fotoluminescente e corrimãos conforme norma.Conformidade: manuais técnicos, ARTs e memoriais descritivos detalhando marcas equivalentes e critérios mínimos de desempenho.Sustentabilidade, qualidade do ar e saúde ocupacionalA seleção de materiais de menor impacto ambiental e baixa emissão de compostos orgânicos voláteis reduz riscos à equipe e ao público, além de contribuir para certificações.Baixo VOC: tintas, adesivos e selantes com certificações reconhecidas.Conteúdo reciclado e reciclabilidade: pisos vinílicos com take-back, perfis metálicos recicláveis, forros com alto conteúdo de reciclagem.Durabilidade e modularidade: sistemas que possibilitem trocas pontuais em vez de substituições totais em caso de danos.Design, identidade de marca e experiência do usuárioO design dos materiais precisa refletir a identidade da marca sem comprometer a operação. Em lojas de rua de Belo Horizonte, a leitura de fachada e a resistência a intempéries devem ser priorizadas; em shoppings, a compatibilização com as normas do condomínio é determinante.Paleta e texturas: combinar padrões com resistência adequada; evitar materiais muito porosos em áreas de alto toque.Wayfinding: acabamentos de piso e parede podem guiar o fluxo; contrastes táteis e visuais auxiliam a acessibilidade.Zonas de desgaste: prever revestimentos reforçados em quinas e áreas de fila; perfis de proteção e cantoneiras discretas ampliam vida útil.Logística, prazos e cadeia de suprimentos em BH/MGEm Belo Horizonte, o planejamento de compras e recebimento de materiais precisa considerar restrições de carga e horário, rotas de acesso e janelas de obra. Fornecedores regionais podem reduzir lead time, mas é essencial validar estoque, lotes e variações de tonalidade antes da aquisição.Lead time: mapear itens críticos (porcelanatos especiais, luminárias sob medida, portas corta-fogo) e confirmar prazos com folga.Armazenagem: canteiros em áreas centrais de BH costumam ter espaço restrito; priorizar materiais embalados e paletizados, com identificação visível.Lotes e tonalidades: para porcelanatos e revestimentos naturais, comprar com margem e do mesmo lote para evitar variações perceptíveis.Devoluções e garantias: conferir políticas do fornecedor e documentação fiscal para trocas ágeis em caso de não conformidade.Compatibilização com sistemas existentes em reformasReformas comerciais raramente partem do zero. A compatibilização é determinante para reduzir retrabalhos.Altimetria: verificar níveis de pisos adjacentes e espessuras dos novos materiais para evitar degraus indesejados.Infraestrutura: checar capacidade de quadros elétricos, diâmetro de tubulações e pontos de drenagem antes de especificar equipamentos.Interferências: mapear shafts, vigas, dutos e sprinklers para evitar conflitos com novos forros e luminárias.Desmontagens: especificar técnicas de retirada limpa para preservar elementos a serem reutilizados e garantir segurança.Orçamento, custo total e estratégia de comprasO orçamento deve refletir não apenas o material em si, mas o sistema completo de instalação, insumos, acessórios e mão de obra especializada.Estrutura de custos: material principal + insumos de assentamento/colagem + tratamento de base + perfis/acabamentos + proteção pós-obra.Comparação técnica: fichas de desempenho e amostras instaladas em mockups ajudam a validar escolhas antes da compra em volume.Pacotes e equivalências: definir produtos base e equivalentes técnicos com critérios mínimos, evitando substituições de baixa performance durante a obra.Exemplos práticos de combinações por tipologiaLojas de varejo com alto fluxoPiso: porcelanato técnico ou LVT comercial de alta resistência.Parede: HPL em áreas de toque intenso e pintura lavável nas demais.Forro: modular acústico em atendimento e gesso acartonado em circulação.Escritórios e coworkingsPiso: vinílico com manta acústica em open space e carpet tiles em salas de reunião.Acústica: painéis de parede e divisórias com PVB acústico em salas de concentração.Luz: luminárias LED com UGR controlado e cenas dimerizáveis.Alimentação e back-of-housePiso: epóxi autonivelante com rodapé meia cana.Parede: cerâmica esmaltada de fácil limpeza ou pintura epóxi.Hidrossanitário: grelhas e ralos em inox e caixas de gordura acessíveis.Erros comuns ao escolher materiais e como evitarEspecificar sem considerar prazos de cura e climatização, impactando a abertura do negócio.Desalinhamento entre estética e operação, gerando alto custo de manutenção.Ignorar normas locais e exigências do CBMMG, atrasando vistorias e licenças.Não reservar material extra para reposição do mesmo lote.Subestimar preparo de base, resultando em destacamentos e patologias.FAQComo comparar durabilidade entre dois pisos para áreas de alto tráfego?Verifique a classificação de abrasão (para porcelanatos) ou a espessura da camada de desgaste (em LVT), além de relatórios de ensaio e referências de uso similar. Avalie também o coeficiente de atrito dinâmico e a resistência a manchas. Sempre confronte esses dados com o volume de tráfego previsto e o plano de manutenção.Epóxi é sempre melhor do que porcelanato em cozinhas comerciais?Não necessariamente. Epóxi monolítico facilita a higienização e oferece excelente resistência química, mas exige preparo de base rigoroso e controle de aplicação. Porcelanato antiderrapante com rejunte epóxi pode ser adequado quando a obra requer maior tolerância a interrupções e substituições pontuais. A escolha depende de operação, cronograma e equipe de manutenção.Quais cuidados tomar com pisos vinílicos em obras em Belo Horizonte?Monitorar umidade de contrapiso é essencial, especialmente no período chuvoso. Em BH, considere logística de recebimento em áreas centrais e armazenamento protegido. O substrato deve estar plano e limpo, respeitando tolerâncias do fabricante; a colagem requer adesivos compatíveis e rolagem com rolos pesados.Como especificar forros para melhorar acústica em escritórios?Combine painéis absorventes no forro com materiais de parede de média absorção e piso resiliente. Escolha forros com NRC adequado, use divisórias com vedação superior e inferior e trate passagens de instalações com selagem acústica. O posicionamento das luminárias deve evitar reduzir a área efetivamente absorvente.Quais documentos solicitar aos fornecedores em BH/MG?Fichas técnicas, laudos de desempenho, certificados de reação ao fogo quando aplicável, garantias, manuais de instalação e manutenção, além de amostras físicas. Para materiais sujeitos à aprovação do CBMMG ou do condomínio (shoppings e edifícios comerciais), inclua memorial descritivo e ART.ConclusãoEspecificar materiais para reformas comerciais exige equilíbrio entre desempenho, custo, estética e conformidade normativa, com atenção à logística e aos prazos típicos de praças como Belo Horizonte. Mockups, análises de TCO e checagens de compatibilidade com a infraestrutura existente reduzem riscos e aumentam a previsibilidade da obra. Caso precise discutir soluções, critérios de seleção e planejamento de suprimentos para o seu projeto em BH/MG, a MUD Engenharia está à disposição para uma conversa técnica e objetiva.






