Reforma residencial bem-sucedida depende de método, critérios técnicos e coordenação rigorosa. Este guia organiza o passo a passo reforma casa do diagnóstico ao pós-obra, com foco em decisões práticas para arquitetos(as) e gestores(as) que precisam transformar o projeto em execução previsível, especialmente no contexto urbano de Belo Horizonte.Passo a passo reforma casa: visão geralAntes de iniciar, defina objetivos, escopo, condicionantes legais e riscos. O ciclo básico inclui: levantamento, projeto, orçamento, planejamento, preparação do canteiro, demolições, estruturas, instalações, fechamentos, acabamentos, testes e entrega. Em BH, considere logística de fornecimento em bairros com restrição de acesso de caminhões, normas da PBH e regras de condomínio para horários e descarte.Levantamento e diagnóstico técnicoO levantamento cadastral e o diagnóstico de patologias orientam todo o restante. Use instrumentos como trena a laser, nível, termografia para umidade e boroscópio em pontos inacessíveis. Documente com fotos georreferenciadas e croquis.Pontos de atençãoEstrutura: mapeie vigas, pilares, lajes, espessuras e armaduras aparentes; valide com projeto estrutural original, quando disponível.Instalações: identifique prumadas, quadro de distribuição, bitolas hidráulicas, materiais (PVC, PEX, cobre) e vida útil dos componentes.Envoltória: verifique esquadrias, caixilhos, orientação solar, ventilação e presença de fissuras, eflorescências e infiltrações.Condomínio e entorno: restrições de horário, áreas de carga/descarga, ponto de energia de obra e elevadores de serviço.Em Belo Horizonte, edifícios antigos de regiões como Funcionários e Lourdes podem ter instalações mistas e lajes nervuradas que exigem compatibilização cuidadosa antes de qualquer corte.Viabilidade, escopo e premissasConsolide um documento de escopo com premissas e exclusões. Defina o que será substituído, o que será mantido e níveis de desempenho (acústica, térmica, eficiência energética). Aponte restrições orçamentárias e limites de prazo do condomínio. Elabore uma matriz de riscos com probabilidade/impacto e planos de resposta.Premissas comuns: manter prumadas; evitar intervenções estruturais; seguir caderno de normas do condomínio; adotar iluminação LED e automação básica.Exclusões típicas: mobiliário solto; eletrodomésticos; marcenaria sob medida quando houver outra contratação.Critérios de desempenho: NBR 15575 (edificações), NBR 16280 (reformas), NBR 5410 (elétrica), NBR 5626 (hidráulica).Projetos e aprovaçõesO desenvolvimento de projetos executivos evita retrabalhos de obra. Estruture pelo menos: arquitetura, elétrica, hidro-sanitário, dados/automação e, quando necessário, estrutural. Para ampliações ou alterações de fachada, verifique necessidade de aprovação na Prefeitura de Belo Horizonte. Em condomínios, a ART ou RRT de reforma é usualmente obrigatória, além de plano de gerenciamento de resíduos.CompatibilizaçãoFaça a coordenação entre disciplinas com sobreposição de pranchas e modelos 3D quando possível. Cheque conflitos entre shafts, sancas, interferência de dutos e luminárias embutidas. Documente revisões com versões e datas.Memorial descritivoProduza um memorial detalhado indicando materiais, marcas de referência (ou desempenho mínimo), métodos de aplicação e tolerâncias. Esse documento é base para cotação e fiscalização.Orçamento e contrataçãoOrçar exige quantificar com precisão. Monte planilhas por ambientes e por sistemas (demolição, alvenaria, elétrica, hidráulica, gesso, pintura, pisos/revestimentos, esquadrias, vidros, marcenaria, automação). Utilize composições de custos referenciadas e insumos locais de BH para maior aderência à realidade de fornecimento.Estratégias de contrataçãoEmpreitada global: simplifica coordenação, exige documentos executivos completos e fiscalização atenta.Pacotes por disciplina: útil em obras com fornecedores especializados (ex.: marcenaria, serralheria, climatização).Materiais fornecidos pelo cliente: estabelece claramente responsabilidades por perdas, prazos de entrega e garantia.Inclua no contrato escopo, premissas, prazos marcos (não prazo fechado total), condições de medição e pagamento, seguros, ART/RRT, regras de convívio, plano de segurança e de resíduos.Planejamento, cronograma e logísticaMonte um cronograma físico-financeiro por frentes de serviço, com relações de precedência. Considere lead time de materiais críticos (esquadrias sob medida, pedras, louças/metais, iluminação) e janelas de trabalho do condomínio.Sequência típica: preparação do canteiro → demolições → estruturas → alvenarias → infra elétrica/hidráulica → fechamentos → gesso/forros → revestimentos → pintura → instalações finais → testes → limpeza técnica.Logística em BH: organize recebimentos fora de pico; avalie restrições de caminhões no hipercentro; reserve área de armazenamento ventilada e seca; programe elevador de serviço.Gestão de riscos climáticos: em período chuvoso, priorize estanqueidade, coberturas e proteção de materiais higroscópicos.Preparação do canteiro e segurançaInstale tapumes, proteção de pisos de áreas não intervenientes, sinalização, quadro de energia com DR, iluminação temporária e pontos de água. Treine a equipe quanto a regras do condomínio e planos de evacuação. Assegure EPIs e EPCs conforme NR-18 e NR-35 quando houver trabalho em altura.Proteções e controleMantas e painéis para conter poeira; pressão negativa em áreas sensíveis.Rotas de circulação com piso protegido por MDF/PU e cantoneiras em quinas.Check-in de ferramentas, diário de obra e controle de acessos.Demolições e remoções com critérioDemolições devem seguir projeto e laudo estrutural quando necessário. Identifique previamente elementos estruturais e tubulações ativas. Execute cortes controlados em concreto com equipamentos apropriados e supressão de pó.Separar resíduos na origem reduz custo e impacto ambiental:Classe A: alvenaria e concreto (reaproveitáveis como bica corrida).Classe B: papel, plástico, metal, vidro (recicláveis).Classe D: gesso, tintas, solventes (destinação especial).Em Belo Horizonte, contrate transportadoras licenciadas e emita CTRs conforme exigências municipais e do condomínio.Estrutura, alvenarias e vedaçõesReforços estruturais exigem projeto e ART. Para novas paredes, defina materiais considerando desempenho e prazos:Bloco cerâmico: bom desempenho térmico/acústico, cuidado com prumo e amarrações.Bloco de concreto: maior resistência e fixações facilitadas.Drywall: velocidade e previsibilidade; usar lã mineral para isolamento e chapas RU/FR conforme ambiente.Prever vergas/contravergas, juntas de movimentação, selantes elástico-acrílicos e telas anti-fissura em encontros de materiais distintos.Instalações elétricas, dados e automaçãoBaseie-se na NBR 5410 e em boas práticas de TI residencial. Dimensione circuitos por uso (iluminação, tomadas gerais, TUGs especiais, climatização, aquecedores). Especifique DPS, DRs por áreas molhadas e identificação por cores em condutores.Distribuição e infraestruturaDutos e eletrocalhas com raio de curvatura adequado; prever shafts e passagens futuras.Quadro de distribuição com reserva mínima de 30% de módulos.Pontos de rede cabeada em posições estratégicas; Wi-Fi com APs distribuídos, evitando apenas roteador central.Compatibilize iluminação com forros e sancas; detalhe recortes para luminárias lineares. Em BH, confirme potência contratada com a concessionária e eventuais trâmites para aumento.Hidráulica, gás e climatizaçãoNa hidráulica, siga a NBR 5626. Utilize coletores e registros setorizados para facilitar manutenção. Em banheiros, adote caimentos adequados, ralos lineares se previstos e impermeabilização mínima de 30 cm nas paredes molhadas.Tubulações: PEX para água fria/quente com conexões prensadas; PVC marrom para esgoto; inspeções acessíveis.Gás: projeto e testes de estanqueidade; ventilação permanente em cozinhas; alarmes de detecção quando aplicável.Climatização: prever drenos com queda, isolamento térmico de linhas, acesso aos splits e unidade condensadora conforme regras do condomínio.Impermeabilização e estanqueidadeEspecifique sistemas por ambiente e substrato: manta asfáltica em lajes expostas; membranas poliméricas em box; argamassa polimérica em áreas molhadas internas. Realize ensaios de estanqueidade (teste de balde/prova d’água) antes dos acabamentos.Revestimentos: pisos e paredesA seleção de revestimentos deve considerar uso, tráfego, dilatação e manutenção. Planeje paginação com cortes equilibrados e alinhamento entre ambientes.Porcelanato: atenção ao calibre, junta mínima conforme fabricante e niveladores para placas grandes.Pisos vinílicos: boa performance acústica; verificação de planicidade e umidade de base.Pedras naturais: especificar acabamento (levigado, escovado), absorção e seladores adequados.Argamassas colantes: escolher tipo (AC-I, AC-II, AC-III) conforme ambiente e formato da placa.Em cozinhas e áreas de serviço, defina rodapés altos e rodachapas. Preveja perfis de transição e juntas de dessolidarização quando necessário.Carpintaria, serralheria e esquadriasMarcenaria deve ser projetada com cotas finais pós-revestimentos. Detalhe folgas, ferragens, tipologias de corrediças/dobradiças e ventilação de módulos para equipamentos. Em esquadrias, verifique desempenho acústico e estanqueidade; escolha vidros laminados ou insulados conforme necessidade. Alinhe cronograma de medições, fabricação e instalação com folgas para ajustes.Forros, gesso e pinturaDefina tipos de forro (gesso acartonado, gesso tradicional, PVC, madeira) e marque inspeções para fechamento após aprovações das instalações. Na pintura, utilize sistemas compatíveis: selador, massa e tinta conforme substrato e ambiente (acrílica, epóxi, PVA em áreas secas). Controle umidade e temperatura de aplicação.Louças, metais e acessóriosVerifique gabaritos de instalação, alturas padrão e compatibilidade com pontos hidráulicos. Teste estanqueidade de sifões e registros, caudais e alinhamento dos eixos. Em áreas molhadas, selantes e rejuntes epóxi oferecem melhor durabilidade.Iluminação e comissionamentoRealize aferição de níveis de iluminância conforme o uso dos ambientes. Programe cenas quando houver automação. Teste circuitos, DRs, DPS e aterramento. Em redes, valide velocidades e alcance Wi-Fi. Documente garantias e manuais.Limpeza técnica e pré-entregaFaça limpeza detalhada pós-obra sem agredir superfícies: detergentes neutros, removedores específicos para rejunte epóxi e proteção de pisos recém-instalados. Conduza vistorias com checklists por ambiente, anotando pendências (punch list) com prazos e responsáveis.Documentação e pós-obraEntregue dossiê com plantas “as built”, manuais, termos de garantia, notas fiscais e ART/RRT. Estabeleça um período de assistência técnica conforme acordos contratuais. Programe revisões preventivas para selantes, rejuntes e elementos sujeitos a movimentação.Boas práticas para gestão de comprasAs compras impactam diretamente prazos e qualidade. Planeje pedidos com antecedência, valide lotes e garanta rastreabilidade.Materiais críticos: esquadrias, pedras, metais, luminárias sob medida, dispositivos de automação.Qualidade: exigir laudos, certificados, fichas técnicas e garantias.Armazenamento: local seco, paletizado e protegido; controle de umidade para pisos de madeira e vinílicos.Em BH/MG, trabalhar com fornecedores locais reduz riscos logísticos e facilita trocas, além de adequação a normas e prazos de condomínios da cidade.Controle de qualidade e registrosImplemente inspeções por etapa com critérios objetivos: planicidade de pisos, prumo de paredes, continuidade de rejuntes, estanqueidade, torque de fixações, testes elétricos. Use diários de obra com fotos, medições e aprovações, além de reuniões semanais com pauta padronizada e atas.Checklist resumido por fasesPré-obra: levantamento, laudos, projetos, memorial, ART/RRT, aprovações de condomínio e prefeitura se aplicável.Planejamento: cronograma, orçamento detalhado, contratos, PGR/PCMSO, PGRCC, logística e fornecedores.Execução inicial: canteiro, proteções, demolições controladas, descarte correto.Estrutura/vedações: reforços, alvenarias ou drywall, caixilhos embutidos.Infra: elétrica, hidráulica, gás, climatização, dados; testes parciais.Fechamentos: forros, gesso, esquadrias, regularizações.Acabamentos: pisos, revestimentos, pintura, louças e metais.Comissionamento: testes finais, limpeza técnica, entrega e dossiê.Erros comuns e como evitarIniciar sem projeto executivo: causa retrabalho e disputas contratuais.Subestimar preparo de base: pisos e revestimentos falham por falta de planicidade.Ignorar juntas e dilatações: trincas e destacamentos em grandes formatos.Não setorizar registros: manutenções futuras comprometem o uso da casa.Comprar por preço sem especificação: materiais incompatíveis com desempenho esperado.Integração com sustentabilidadeInclua soluções de eficiência e redução de resíduos: reuso de água de chuva para irrigação, iluminação eficiente, madeiras certificadas, argamassas com adições recicladas e segregação de entulho. Considere ventilação cruzada e sombreamento passivo para reduzir carga térmica.FAQ: dúvidas frequentesÉ obrigatório ter ART ou RRT para reforma residencial?Para reformas que interfiram em sistemas, estrutura, fachadas ou áreas comuns, sim: exige-se responsável técnico com ART (CREA) ou RRT (CAU). Mesmo em reformas internas, condomínios em BH geralmente solicitam documento de responsabilidade e plano de reforma conforme NBR 16280.Quando preciso de aprovação na Prefeitura de Belo Horizonte?Alterações que impactem fachada, área construída, estrutura ou usos podem demandar licenciamento. Reformas internas sem mudança de área e sem impacto estrutural costumam dispensar aprovação, mas verifique sempre com a PBH e com o(a) projetista responsável.É necessário desocupar a casa durante a obra?Depende do escopo e do risco. Intervenções em banheiros, cozinha e instalações críticas tornam o local parcialmente inabitável. Em alguns casos, setorização e fases permitem permanência, desde que com segurança, isolamento de poeira e comunicação clara do cronograma.Como dimensionar o quadro elétrico em reformas?Parta da carga instalada prevista em projeto, setorizando circuitos e considerando demanda e seletividade de proteção. Preveja reserva de módulos e espaço para DPS e DRs. Adeque condutores, aterramento e proteção conforme NBR 5410 e instruções da concessionária local.Como fazer o descarte correto dos resíduos em BH?Classifique resíduos, utilize caçambas licenciadas, exija MTR/CTR e destine classes D a empresas autorizadas. Condomínios podem exigir agendamento para retirada. O transporte deve seguir normas municipais e estaduais, com documentação comprobatória.ConclusãoReformar com método reduz riscos e aumenta a previsibilidade. Do diagnóstico inicial à entrega técnica, cada decisão impacta custos, prazos intermediários e desempenho futuro da casa. Em Belo Horizonte, atentar para normas de condomínio, logística urbana e fornecedores locais ajuda a manter o planejamento sob controle. Se desejar discutir o plano da sua reforma com uma construtora que trabalha em parceria com arquitetos(as) e gestores(as), a MUD Engenharia está à disposição em BH/MG para uma conversa técnica e sem compromisso. Fale conosco.





