projeto saúde reforma hospitalar

Projetos de saúde exigem uma abordagem técnica rigorosa, e, quando falamos em “projeto saúde reforma hospitalar”, a complexidade aumenta devido às interfaces entre operação assistencial, biossegurança, engenharia clínica e infraestrutura predial. Em reformas, as decisões precisam equilibrar restrições de continuidade do serviço, requisitos regulatórios, desempenho de sistemas críticos (ar condicionado, elétrica, gases medicinais) e logística de canteiro em áreas ocupadas. Este artigo organiza critérios, normas e boas práticas para orientar arquitetos(as), gestores(as) de obras e facilities no planejamento e execução de reformas hospitalares, com atenção às particularidades de Belo Horizonte (BH) e ao ecossistema de licenças e aprovações locais.Marco regulatório essencial para reforma hospitalarQualquer projeto saúde reforma hospitalar deve iniciar pelo mapeamento normativo e de diretrizes internas do hospital. Entre as referências mais utilizadas no Brasil, destacam-se:ANVISA RDC 50/2002: diretrizes de planejamento físico de estabelecimentos assistenciais de saúde, com exigências por ambiente e condicionantes de fluxos limpo/sujo.ANVISA RDC 222/2018: gerenciamento de resíduos de serviços de saúde (RSS), com impactos na logística de obra e segregação no entorno.ANVISA RDC 36/2013: segurança do paciente, influenciando barreiras físicas, rotas e planos de contingência.NR-32 (MTE): segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde, importante para definir EPIs, perímetros e procedimentos em áreas assistenciais.ABNT NBR 7256: tratamento de ar em estabelecimentos assistenciais; estabelece classificações, trocas de ar, filtragem e pressurizações.ABNT NBR 5410 e NBR 5419: instalações elétricas de baixa tensão e proteção contra descargas atmosféricas (SPDA).ABNT NBR 13534: sistemas de gases medicinais; materiais, ensaios, identificação e segurança.ABNT NBR 9077: saídas de emergência; e NBR 9050: acessibilidade.ISO 14644 (aplicável em salas limpas e ambientes críticos, quando requerido pela política do hospital).Em BH/MG, é recomendável alinhar com a Vigilância Sanitária Municipal e com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) quanto às Instruções Técnicas de segurança contra incêndio e pânico e ao Auto de Vistoria (AVCB-MG). O licenciamento urbanístico e eventuais alvarás de obra passam pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), com atenção a interferências em rotas de fuga e adequações acessíveis temporárias.Planejamento por fases: manter a assistência operandoEm reforma hospitalar, o planejamento por fases é central para minimizar impacto sobre a assistência. O fatiamento em áreas contíguas, com antecâmaras e barreiras ambientais, ajuda a preservar fluxos limpos e a segurança do paciente.Matriz de criticidade: classificar áreas por risco (UTI, centro cirúrgico, isolamento, diagnóstico por imagem) e definir janelas de intervenção específicas.Shutdowns programados: para sistemas de HVAC, elétrica e gases medicinais com planos de contingência e redundância temporária.Sequência macrofásica: demolição controlada, infraestrutura (embutidos), fechamento, acabamentos e comissionamento, com marcos de validação a cada etapa.Planos A/B/C: rotas alternativas, leitos de contingência e comunicação clara para equipes assistenciais.Ferramentas como BIM 4D/5D auxiliam na simulação de interfaces, mitigando conflitos (clash detection) e expondo interferências entre dutos, bandejas elétricas e tubulações de gases em shafts saturados.Controle de infecção: barreiras, pressão e limpezaControle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (IRAS) é decisivo em qualquer projeto saúde reforma hospitalar. Recomenda-se aplicar uma matriz de avaliação de risco (similar ao ICRA – Infection Control Risk Assessment), ajustada ao contexto brasileiro, para definir o nível de contenção exigido.Barreiras físicas: tapumes herméticos laváveis, juntas seladas, portas com vedação perimetral e visor, antecâmaras com pressão negativa quando requerido.Pressurização e exaustão: uso de exaustores com filtragem HEPA (H13 ou superior) e monitoramento contínuo de diferencial de pressão por manômetros Magnehelic ou sensores digitais.Gestão de poeira: aspiradores industriais com HEPA, serras de baixa emissão, nebulização pontual e tapetes pega-pó nas transições.Limpeza técnica: rotinas de limpeza úmida, protocolos de desinfecção e validação por ATP em áreas críticas, conforme política interna do hospital.O time de controle de infecção hospitalar (CCIH) deve validar barreiras, rotas de resíduos e cronogramas, com checklists antes de cada avanço de fase. Em Belo Horizonte, alinhar tais medidas com a vigilância sanitária local reduz retrabalho em inspeções.HVAC hospitalar: desempenho, classificação e comissionamentoO ar condicionado em hospitais não trata apenas conforto; ele define segurança. A NBR 7256 estabelece diretrizes para:Classificação de ambientes: salas cirúrgicas (pressão positiva), quartos de isolamento para aerossóis (pressão negativa), CME (zonas com exigências distintas).Renovações de ar: taxas mínimas e cascatas de pressão, com atenuação de ruído e controle de umidade.Filtragem: estágios G4/F7 e HEPA conforme risco; acesso e manutenção sem comprometer áreas limpas.Construção: dutos estanques, selagem de passagens, caixas de VAV com controle fino e materiais anticorrosivos.Em reformas, é frequente a necessidade de reequilíbrio (TAB – testing, adjusting and balancing). Testes de fumaça, ensaios de integridade de filtros HEPA, medição de partículas (quando aplicável) e validação dos diferenciais de pressão devem integrar o plano de comissionamento. Em BH, observar a disponibilidade de fornecedores de TAB e de filtros certificados impacta no lead time do cronograma.Elétrica, aterramento e continuidade de serviçoUma reforma hospitalar bem-sucedida considera seletividade, redundância e qualidade de energia. Pontos críticos:Topologia: quadros com seccionamento claro por área, barramentos dedicados para cargas críticas e essenciais, e coordenação de proteção conforme NBR 5410.Continuidade: grupos geradores e UPS para TI, equipamentos de suporte à vida e iluminação de emergência; planejamento de transferências sem impacto assistencial.Aterramento e equipotencialização: em ambientes úmidos e críticos, malhas específicas e barramentos de equipotencialização para reduzir microchoques.SPDA e DPS: adequação à NBR 5419 e proteção contra surtos em painéis e tomadas hospitalares (pinos padrão hospitalar quando exigido).Ensaios obrigatórios incluem teste de DRs, verificação termográfica de conexões após carga, medição de impedância de loop e testes funcionais de comutação fonte-rede/fonte-gerador.Gases medicinais: segurança, materiais e testesEm projeto saúde reforma hospitalar, os sistemas de gases exigem rastreabilidade e ensaios rigorosos. Recomendações práticas:Materiais: tubulação de cobre desoxidado, conexões soldadas com brasagem em atmosfera controlada, identificação por cores e etiquetas conforme NBR 13534.Integridade: testes de estanqueidade, limpeza interna, vácuo e análise de contaminantes; certificados de pureza e de limpeza após intervenção.Pontos de consumo: terminais compatíveis, válvulas de bloqueio setorizadas com acesso para manutenção e painéis de alarme.Planejar shutdowns com by-pass temporário e comunicação prévia às equipes clínicas evita riscos durante trocas de válvulas ou remanejamentos.Materiais e detalhes construtivos para ambientes críticosA especificação de materiais deve considerar limpeza frequente, resistência química e durabilidade. Exemplos aplicáveis:Revestimentos: pisos vinílicos homogêneos com rodapé curvo (coving), cantos arredondados e solda a quente; pinturas epóxi em áreas técnicas; paredes com revestimentos laváveis.Esquadrias e ferragens: portas com visor, batentes metálicos com proteção a impactos, ferragens anticorrosivas e guilhotinas em áreas com pressão.Forros: modulares selados ou chapas contínuas em áreas críticas, luminárias seladas (IP65) e acessos para manutenção sem contaminação.Higienização: detalhes de rodapés, soleiras sem degraus, juntas seladas com silicone grau hospitalar, evitando nichos.Para áreas como CME e centro cirúrgico, prever pass-throughs, guichês com intertravamento e corrimãos em PVC ou aço inox com acabamento sanitário.Fluxos funcionais, CME, expurgo e rotas limpo/sujoReformas que mexem em fluxos devem redesenhar a setorização para eliminar cruzamentos. Princípios:Separação física de rotas limpas e sujas com portas e antecâmaras.CME: zonificação clara (sujo – limpeza – preparo/esterilização – armazenamento estéril), com pressões e trocas de ar específicas.Expurgo: pontos de água adequados, drenagem com declividade correta, lavadoras e barreiras para respingos.Logística interna: elevadores dedicados, docas e rotas noturnas para materiais de obra e descarte, sem interferir em leitos.Quando o edifício é antigo (comum no perímetro central de Belo Horizonte), avaliar reforços estruturais, shafts e dutos existentes é crucial para evitar sobrecargas e viabilizar novas rotas técnicas.Licenças, aprovações e interlocução em BH/MGEm BH, o cronograma deve considerar:Licenciamento municipal: alvarás com a PBH, avaliação de acessibilidade temporária e impactos nas rotas de fuga.Vigilância Sanitária Municipal: comunicação prévia de reformas em áreas críticas, apresentação de plantas e memória descritiva conforme RDC 50.CBMMG: adequações às Instruções Técnicas, aprovação de projeto de incêndio quando necessário e obtenção/manutenção do AVCB-MG.CREA/CAU: responsabilidade técnica (ART/RRT) para projeto e execução, incluindo especialidades (HVAC, gases, elétrica).A coordenação com concessionárias (CEMIG para energia e COPASA para água/esgoto) pode demandar janelas de intervenção específicas e ampliações de capacidade. O planejamento deve prever prazos de análise e inspeções.Gestão do canteiro em ambiente ocupadoO canteiro em reforma hospitalar é “cirúrgico”. Boas práticas incluem:Setorização física: barreiras de piso a teto, antecâmaras e rotas exclusivas de obra, com controle de acesso e sinalização.Controle de ruído e vibração: janelas de corte e demolição fora de horários críticos, mantas antivibração, ferramentas de baixo impacto.Gestão de resíduos: segregação conforme CONAMA 307 (classe A/B/C/D), recipientes identificados e rotas independentes das áreas assistenciais; atenção aos RSS no entorno.Segurança do trabalho: cumprimento de NR-10, NR-18, NR-32 e NR-35; briefing diário de riscos e EPIs específicos.Checklists diários de limpeza, inspeções de barreiras, e registro fotográfico reforçam a rastreabilidade e apoiam auditorias internas.Comissionamento, validação e entregaAlém da obra física, a entrega deve contemplar ensaios, registros e treinamento:HVAC: TAB completo, diferencial de pressão validado, testes de fumaça, integridade de HEPA e, quando aplicável, contagem de partículas.Elétrica: testes funcionais, termografia pós-carga, ensaios de aterramento e relatório de seletividade.Gases: certificados de limpeza, estanqueidade e pureza; identificação final por cores e etiquetagem.Água e esgoto: testes de estanqueidade, cloração e, se aplicável, análise de Legionella conforme protocolo interno.Documentação: as built, manuais O&M, matrizes de manutenção preventiva e treinamentos das equipes de operação.Auditorias internas pós-ocupação (30, 60 e 90 dias) ajudam a capturar ajustes finos e consolidam o desempenho dos sistemas.Custos, prazos e previsibilidade sem promessas fechadasEstimativas em reforma hospitalar devem considerar fatores de risco e contingência: acesso restrito, janelas de shutdown limitadas, materiais específicos e fornecedores especializados. Recomenda-se:Planejamento em três níveis: conceitual (classe de ordem de grandeza), básico (estudo pré-DET) e executivo (orçamento detalhado com composições e logística).Contingências proporcionais ao risco de interfaces críticas (HVAC, gases, elétrica hospitalar).Curva S e marcos de aprovação com critérios objetivos (gate reviews).Em Belo Horizonte, lead times de itens como filtros HEPA, luminárias seladas e portas plumbadas podem variar com a demanda local; alinhar fornecedores e prazos desde o início é prudente.Digitização, BIM e coordenação com operaçãoO uso de BIM apoia a gestão de interferências, quantitativos e simulação de fases. Integrações úteis:Modelos disciplinares coordenados (arquitetura, HVAC, elétrica, gases, TI) com regras de checagem automatizadas.4D para sequenciamento em áreas críticas e 5D para orçamento integrado.Ligação com CMMS/GMUD do hospital para planejar paradas e manutenções preventivas.Documentar decisões em atas e dashboards de obra melhora a previsibilidade e apoia a governança do hospital.Projeto saúde reforma hospitalar: do briefing ao as builtO ciclo completo pode ser organizado em etapas claras:Briefing clínico-operacional: requisitos assistenciais, metas de capacidade e fluxos.Estudos preliminares: viabilidade técnica, sondagens, inspeções de sistemas e levantamento as built.Anteprojeto e projeto legal: compatibilização e submissões a PBH/CBMMG/Vigilância quando cabível.Projeto executivo multidisciplinar: detalhes construtivos, memoriais e planos de comissionamento.Execução faseada com controle ambiental: barreiras, monitoramentos e registros.Comissionamento, validação e treinamento: entrega funcional, documentação e planos de manutenção.A rastreabilidade de decisões e mudanças (controle de revisões) é crucial para manter alinhamento entre arquiteto, engenharia clínica e operação.Integração de TI, segurança da informação e IoMTHospitais dependem de conectividade estável. Em reformas, o cabeamento estruturado, Wi-Fi hospitalar e integração de dispositivos médicos (IoMT) devem prever:Sala técnica com climatização redundante, piso elevado quando aplicável e UPS dedicado.Categorias de cabeamento adequadas (Cat6A ou superior) e segregação de redes (assistencial, administrativa, visitante).Rotas livres de interferência eletromagnética e reservas para expansão.Testes de certificação de enlaces e coordenação com a segurança da informação reduzem riscos em ambientes críticos como UTI e centro cirúrgico.Acústica, privacidade e conforto ambientalA NBR 10152 orienta níveis de ruído internos. Em hospitais, o controle acústico favorece segurança do paciente e confidencialidade. Boas práticas:Forros com alto NRC em áreas de atendimento e enfermarias.Fechamentos com massa adequada e guarnições de portas com vedação.Pavimentos com absorção de impacto em áreas sensíveis, mantendo requisitos de limpeza.Iluminação com UGR adequado, índices de iluminância por tarefa e luminárias seladas em áreas limpas complementam o conforto com segurança.FAQ: questões técnicas frequentesQuais documentos mínimos devo reunir antes de iniciar a reforma?Levantamento as built, laudos de HVAC, elétrica e gases, PPCI/AVCB-MG vigente, matriz de risco (IRAS/ICRA), ART/RRT, cronograma por fases, plano de comunicação e de resíduos. Em BH, inclua requisitos da PBH e Vigilância Sanitária Municipal.Como definir as pressões diferenciais em ambientes críticos?Baseie-se na NBR 7256 e na política interna do hospital: salas cirúrgicas e áreas limpas tendem a operar em pressão positiva versus adjacentes; quartos de isolamento respiratório operam em negativa. Valide com TAB, sensores contínuos e alarmes de desvios.É possível reformar sem parar a operação do setor?Depende da criticidade e da arquitetura existente. Normalmente, usa-se setorização com barreiras, antecâmaras, janelas de shutdown e remanejamento temporário. O plano deve ser aprovado pela direção, CCIH e engenharia clínica.Que testes são indispensáveis na entrega?TAB de HVAC, integridade de HEPA, diferencial de pressão, testes elétricos (seletividade, DR, termografia), ensaios de gases (estanqueidade, pureza), hidráulica (estanqueidade, cloração) e verificação funcional de sistemas de alarme e emergência.Quais materiais são mais adequados para limpeza hospitalar frequente?Pisos vinílicos homogêneos com rodapé curvo, revestimentos laváveis, selantes grau hospitalar, luminárias IP65, portas com acabamentos resistentes a desinfetantes e ferragens anticorrosivas. Avalie compatibilidade química com os produtos de limpeza usados.ConclusãoReformas hospitalares exigem coordenação fina entre projeto, operação e controle de infecção, somada a um plano de comissionamento robusto e gestão de riscos alinhada às normativas. Em Belo Horizonte, a antecipação de aprovações com PBH, Vigilância Sanitária e CBMMG, além do planejamento de logística urbana e de fornecedores locais, contribui para a previsibilidade. Se você busca discutir um escopo de obra em ambiente assistencial em BH/MG, a MUD Engenharia realiza obras e reformas corporativas, residenciais e hospitalares com comunicação clara entre arquitetos(as) e clientes; estamos à disposição para uma conversa técnica sobre seu próximo projeto.

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Projeto saúde reforma hospitalar: guia prático em BH

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